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Brasil Pharma lança plano para reconquistar mercado

Data da Publicação: 27/3/2015

A teleconferência com analistas para discutir o balanço da Brasil Pharma no quarto trimestre feita ontem foi marcada por simbolismos. Logo no começo da apresentação, o agora ex­executivo­chefe da companhia, José Ricardo Mendes da Silva, falou da conclusão da primeira fase da reestruturação da empresa, focada na criação de controles e na disciplina operacional. Na sequência, ele passou o bastão ao sucessor, Paulo Gualtieri, ex­executivo do Pão de Açúcar que comandará a Brasil Pharma no que eles classificaram como uma nova fase, voltada à melhoria das vendas nas mais de 1,2 mil farmácias das cinco redes. A mudança no comando havia sido antecipada pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, semana passada. Toda esse rito tem razão de ser. A companhia controlada pelo banco BTG precisa dar uma resposta a investidores e analistas, descontentes com o desempenho. Só nos primeiros três meses do ano, suas ações perderam mais de 70% de valor. A Raia Drogasil apresenta valorização de quase 10% no período. O Ibovespa, principal índice da bolsa, sobe mais de 1%. A Brasil Pharma também anunciou a contratação da consultoria Enéas Pestana & Associados, do ex­presidente do Pão de Açúcar, para melhorar as vendas das farmácias. Gualtieri é um dos 35 sócios de Pestana na empreitada e deixará o dia a dia da companhia para se dedicar à Brasil Pharma. No momento, 12 consultores estão atuando na rede. O trabalho de diagnóstico durará dois meses. A implementação das medidas sugeridas levará outros 18. Outro ponto importante da nova fase da companhia são dois estudos que serão apresentados em um prazo de 30 dias. Um deles balizará o processo de integração da rede Big Ben, que atua no Nordeste, ao restante dos negócios do grupo. O outro formatará uma nova estrutura de capital para sustentar o crescimento do grupo. Comprada há três anos, a Big Ben é responsável por metade da receita do grupo ­ que ficou praticamente estável no 4º trimestre, em R$ 901,8 milhões, contra R$ 893,7 milhões no mesmo período de 2013 ­ e opera numa estrutura administrativa independente, o que faz com que tenha grande peso nas despesas do grupo. Na teleconferência, os executivos destacaram várias vezes que o enxugamento dessa estrutura e o melhor reconhecimento dos resultados da rede serão pontos fundamentais para a melhoria do desempenho em 2015. Em 2014, a companhia ampliou em mais de 300% o prejuízo, chegando a R$ 613 milhões. Além de crescimento pouco expressivo na receita líquida ­ aproximadamente 9%, para R$ 3,8 bilhões ­ a companhia teve aumento de custos com demissões (foram 4,6 mil dispensas ao longo do ano), implementação do sistema de gestão SAP, entre outras medidas. Em relatório a clientes publicado no fim do dia, a corretora Coinvalores avaliou as mudanças anunciadas pela Brasil Pharma como positivas, mas destacou que ainda é cedo para considerar uma recuperação consistente nos números. Em um ano complicado, a companhia terá que contar com a boa aceitação das mudanças nas lojas por parte dos consumidores para transformar os simbolismos em realidade.

 

Fonte: Valor Economico





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